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Baixar áudioA distribuição das chuvas no início de abril tem impactado a colheita do feijão primeira safra na região do MATOPIBA, que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). As condições de precipitação têm colocado Bahia e Piauí em contraste. Enquanto os grãos baianos são afetados pela persistência das chuvas, o feijão piauiense tem o final de ciclo favorecido.
No Brasil, a colheita da primeira safra de feijão atingiu 73,5% da área total cultivada.
Conforme o Inmet, dados estimados pelo Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO) apontam que os elevados índices do final de março e início de abril ajudaram a estabilizar a estimativa de perda de produtividade em 31,2%. A estimativa evidencia, em especial, o centro-norte piauiense, como o município de Campo Maior (PI).
No Piauí, as precipitações que retornaram no final de março e se estabeleceram no início de abril têm contribuído para fomentar as lavouras mais tardias. Além disso, a região sudeste do estado estava apresentando sinais de déficit hídrico. No entanto, a umidade recente tem contribuído para a manutenção do potencial produtivo.
Em nota, o Instituto destaca que o sistema considera indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e o balanço hídrico do solo, com vistas a analisar os impactos das condições climáticas sobre o desempenho das culturas.
A análise também informa que a previsão de volumes mais baixos de chuva para o sul do estado tem possibilitado que a colheita siga nas áreas mais avançadas em plena execução.
Em contrapartida, a evolução da colheita na Bahia tem sido limitada pelas condições meteorológicas. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), entre o final de março e a primeira semana de abril, as operações avançaram para 88% da área total.
As chuvas persistentes têm dificultado o trânsito de máquinas no campo, conforme o Inmet. Além disso, no extremo oeste do estado, a qualidade dos grãos colhidos está sendo afetada pela a manutenção da alta umidade. As estimativas SISDAGRO apontam que a perda de produtividade do feijão pode chegar a 42,6% até esta terça-feira (14).
A previsão do tempo pelo Instituto informa irregularidades na distribuição das chuvas na Região Nordeste do país. Para áreas do norte, centro‑norte e sudeste do Piauí estão previstos os maiores acumulados. Na Bahia, exceto no sul do estado, a previsão é de baixos acumulados de chuva ao longo da semana.
Em relação às temperaturas, são previstas máximas entre 28 °C e 36 °C na maior parte da Região Nordeste. Em áreas do sudeste do Piauí, as temperaturas poderão ultrapassar os 36°C. Já na Bahia, os termômetros devem marcar valores acima de 30°C na maior parte do estado ao longo da semana.
“Esse cenário, associado à irregularidade das chuvas e às temperaturas mais elevadas, tende a contribuir para a redução dos estoques de água no solo, especialmente no centro‑sul baiano, onde os indicativos de déficit hídrico devem persistir até o final da semana”, diz um trecho da nota do Inmet.
O Inmet alerta que, considerando a realidade desses estados com chuvas irregulares e temperaturas elevadas, é necessário atenção no planejamento das atividades agrícolas na região. A recomendação é de acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas, bem como o monitoramento das condições de umidade do solo.
As medidas devem contribuir para a tomada de decisão no manejo das lavouras, a redução de riscos operacionais e o planejamento das operações de campo.
Copiar o textoEstado concentra 57,5% da área cultivada; estudo aponta espaço para expansão em outras regiões
Baixar áudioA área de cana-de-açúcar disponível para colheita no Centro-Sul do Brasil atingiu mais de 8,9 milhões de hectares na safra 2025/26, evidenciando a força e a concentração da cultura na principal região produtora do país. Os dados são de levantamento da Serasa Experian.
O estudo, baseado em imagens de satélite, revela que a produção está significativamente concentrada em São Paulo, responsável por 57,5% da área cultivada, enquanto os 42,5% restantes se distribuem entre Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
O mapeamento também aponta que apenas 12 municípios concentram cerca de 10% da área total cultivada, dentro de um universo de mais de 800 cidades produtoras. Ainda assim, aproximadamente 25% dos municípios do Centro-Sul cultivam cana-de-açúcar, o que demonstra a ampla presença da cultura na região.
No recorte do uso da terra, São Paulo apresenta maior intensidade produtiva, já que dos 14,1 milhões de hectares com aptidão agrícola, 36% estão ocupados pela cana. Já em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul — que, juntos, somam entre 13,6 milhões e 20 milhões de hectares aptos — a ocupação varia entre 5% e 6%.
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“O cenário indica que, embora o Brasil seja o maior produtor e exportador mundial de cana-de-açúcar e um dos líderes em biocombustíveis, ainda existe espaço relevante para a expansão da cultura, especialmente com o aproveitamento de áreas com aptidão agrícola”, afirma o gerente executivo de soluções agro da Serasa Experian, Dyego Santos.
“Com os biocombustíveis voltando ao centro da agenda energética, historicamente impulsionados pela cana, a cultura volta a desempenhar um papel central, agora ao lado do avanço de lavouras como soja e milho”, complementa.
Na safra 2025/26, quatro estados concentram 91% da área de cana mapeada no Centro-Sul. São Paulo lidera com ampla vantagem, com mais de 5,1 milhões de hectares (57,5%). O estado também registrou crescimento expressivo ao longo das últimas décadas: a área disponível para colheita passou de 3,35 milhões de hectares em 2003 para mais de 5 milhões em 2025, alta de 52,8%.
Na sequência aparecem Goiás (12,3%), Minas Gerais (12,2%) e Mato Grosso do Sul (8,9%), consolidando o avanço da produção fora do eixo paulista. Apesar disso, essas unidades da federação ainda apresentam menor ocupação das áreas aptas — entre 5% e 6%, na comparação com os 36% de São Paulo —, indicando potencial de expansão, sobretudo no Centro-Oeste e no Triângulo Mineiro.
A concentração também se repete no nível municipal. Apenas 12 cidades, entre 842 mapeadas, concentram cerca de 10,4% da área de cana disponível para colheita. Entre os principais polos estão Uberaba, Quirinópolis, Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante, além dos municípios paulistas de Morro Agudo, Barretos e Guaíra.
Segundo o executivo, “apesar da concentração em alguns polos de grande escala, 90% da área cultivada de cana-de-acúcar a ser colhida está espalhada por mais de 800 municípios, muitos com participação individual menor, mas que, juntos, garantem a capilaridade da cultura no território.”
Os dados indicam que, embora existam grandes polos produtivos, a cultura permanece amplamente distribuída no território.
“O uso de geotecnologia e imagens de satélite permite um nível de precisão muito superior às estimativas tradicionais, ao mapear efetivamente o que está sendo plantado no campo”, pontua Santos.
“Esse tipo de monitoramento, que ganha ainda mais relevância com o avanço das exigências regulatórias no setor e mitigação de riscos na cadeia agroindustrial, amplia a capacidade de análise e tomada de decisão no agronegócio”, enfatiza.
O levantamento foi realizado com base em dados proprietários obtidos por imagens de satélite e geotecnologia, que permitem identificar e mensurar as áreas cultivadas com cana-de-açúcar no Brasil. A análise considera tanto áreas disponíveis para colheita quanto em reforma na safra 2025/26, abrangendo sete estados da região Centro-Sul.
Os dados de aptidão agrícola para concessão de crédito rural têm como base o Manual de Crédito Rural (MCR), e os municípios analisados são aqueles com áreas de cultivo identificadas no mapeamento. Neste estudo, a região Centro-Sul engloba áreas das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil.
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Baixar áudioO Ministério da Agricultura passou por mudança de comando na quarta-feira (1º), em Brasília, com a posse de André de Paula no lugar de Carlos Fávaro. A cerimônia foi realizada na sede da Embrapa e marcou a transição em meio à manutenção das diretrizes estratégicas do setor, considerado um dos pilares da economia brasileira.
Com mais de quatro décadas de trajetória na vida pública, André de Paula assume o cargo após chefiar o Ministério da Pesca e Aquicultura desde janeiro de 2023. Natural de Recife (PE) e formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o novo ministro construiu sua carreira nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação em áreas como produção rural, reforma agrária, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Ao tomar posse, o ministro destacou que dará continuidade às políticas já em curso, com foco na estabilidade e previsibilidade do setor.
“Eu assumo hoje o Ministério da Agricultura e Pecuária após uma experiência que levarei comigo por toda a vida pública. A honra de ter servido como Ministro do Estado da Pesca e de Cultura. Inicio essa nova etapa com um senso exato da dimensão dessa missão, mais ampla ou mais desafiadora. Sem dúvida alguma, esse é o passo mais largo da minha trajetória pessoal e profissional", afirmou.
Entre os principais eixos da gestão, André de Paula ressaltou o avanço tecnológico no campo, incluindo automação e uso de inteligência artificial, além do fortalecimento institucional da Embrapa.
“Estaremos atentos às transformações tecnológicas que moldam o futuro do agro. Inovação, automação e o uso estratégico da inteligência artificial já são realidade no campo e serão cada vez mais decisivos”, disse.
“A Embrapa deve ser fortalecida, com base técnica e visão estratégica. Produzir alimentos hoje exige qualidade, segurança e sustentabilidade. A defesa agropecuária segue como pilar essencial. Nosso sistema sanitário é um ativo estratégico e continuará sendo tratado como prioridade”, acrescentou.
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O ministro também reconheceu o trabalho do antecessor e do governo federal.
“É preciso reconhecer os resultados do Mapa sob a condução do ministro Carlos Fávaro e a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que consolidaram o Brasil como potência global. A gestão de Fávaro foi marcada por seriedade e compromisso público, deixando uma base sólida, institucional, técnica e estratégica, que orienta o presente e projeta o país para o futuro”, declarou.
Em seu pronunciamento, Carlos Fávaro pontuou os resultados obtidos durante sua gestão, com ênfase na expansão das exportações e na modernização do setor.
“Hoje, por exemplo, tive a alegria de saber que o primeiro navio brasileiro carregado de DDG, coproduto da produção de etanol à base de milho, já está sendo carregado e segue para a China. São oportunidades que têm transformado a realidade do Brasil e levado mais dignidade aos brasileiros. É a prova de que as exportações brasileiras vão continuar crescendo, sendo cada vez mais fortes, expressivas e relevantes”, afirmou.
“Enfim, é uma prestação de contas, talvez um pouco longa, mas resultado de muito trabalho e do esforço de muitas pessoas ao longo desse período. André, siga em frente. Você é tão ou mais competente e vai liderar esse time do Ministério, construindo ainda mais resultados”, finalizou.
A mudança ocorre em um cenário de continuidade das políticas voltadas ao fortalecimento do agronegócio. O setor permanece como um dos principais motores da economia nacional, com crescimento sustentado por inovação, expansão de mercados e práticas mais sustentáveis.
Durante a cerimônia, Fávaro apresentou um balanço de sua gestão, destacando a abertura de 555 novos mercados internacionais em três anos. O resultado foi atribuído à intensificação da diplomacia comercial, ao diálogo com parceiros externos e ao fortalecimento da credibilidade sanitária do país.
No período, também houve ampliação significativa do crédito rural, com a execução de R$ 1,547 trilhão por meio dos Planos Safra — mais que o dobro do volume registrado na gestão anterior. O montante contribuiu para o aumento da capacidade produtiva, geração de empregos e expansão de investimentos no campo.
Programas como o Caminho Verde Brasil e o Eco Invest mobilizaram mais de R$ 50 bilhões para recuperação de áreas degradadas, permitindo a reincorporação de cerca de 4,5 milhões de hectares ao sistema produtivo. Os dados também indicam crescimento de 11,7% do agronegócio em 2025, além de uma produção recorde superior a 1,3 bilhão de toneladas.
A gestão destacou ainda avanços na defesa agropecuária, com respostas rápidas a crises sanitárias, ampliação do acesso de pequenos produtores ao mercado por meio do SISBI e modernização de sistemas públicos, além do fortalecimento de instituições estratégicas e investimentos em infraestrutura rural.
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Baixar áudioO ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou da abertura oficial do Show Safra 2026, em Lucas do Rio Verde, na segunda-feira (23). Na ocasião, o chefe da pasta destacou a importância da ampliação de mercados, do acesso ao crédito e da inovação tecnológica para o fortalecimento do agronegócio brasileiro.
Considerado um dos principais eventos do setor no país, o Show Safra reforça o papel de Lucas do Rio Verde como um dos polos de inovação, tecnologia e geração de negócios do agronegócio em Mato Grosso.
Durante a cerimônia, Fávaro ressaltou que o avanço do setor depende da articulação entre políticas públicas, desenvolvimento tecnológico e expansão das relações comerciais internacionais. Segundo ele, iniciativas como o evento contribuem para aproximar produtores, empresas e investidores, além de estimular a disseminação de conhecimento e soluções voltadas ao campo.
O ministro também pontuou a necessidade de ampliar o acesso às oportunidades no setor. Ele destacou que a abertura de mais de 550 mercados internacionais tem sido estratégica para garantir renda aos produtores e enfrentar os desafios do campo. “Vamos ampliar o acesso ao crédito e seguir abrindo mercados, porque é assim que garantimos renda e superamos os desafios do campo”, afirmou.
“Por isso, destaco a importância do Show Safra, para que a gente possa debater a ciência, a tecnologia. E, eu venho aqui com ideias, com propósitos, para fomentar junto com os produtores alternativas que vão minimizar esse impacto, fazendo com que o estado de Mato Grosso e o Brasil continuem crescendo através da agropecuária”, enfatizou o ministro.
Ainda durante a programação do evento, o ministro se reuniu com cooperativas para discutir projetos estruturantes voltados ao fortalecimento da agricultura familiar. O encontro contou com a presença do prefeito de Lucas do Rio Verde, Miguel Vaz Ribeiro, e do vice-prefeito Joci Piccini.
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Entre as propostas debatidas, estão iniciativas de verticalização da produção, como a implantação de uma indústria de polpa de frutas, o processamento de extrato de tomate e o incentivo à apicultura. As ações têm como objetivo criar condições para a execução dos projetos, ampliar oportunidades, fortalecer a organização produtiva e impulsionar o desenvolvimento rural.
A edição de 2026, realizada entre os dias 23 e 27 de março, apresenta uma programação ampliada e diversificada, refletindo a evolução do agronegócio brasileiro.
Entre os destaques, estão o Show Safra Aero, voltado a demonstrações e negócios da aviação agrícola; o Show Safra Pecuária, que inclui leilões, atividades práticas e debates sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta; além de iniciativas como o Show Safra Mulher, o Show Safra Connect, o Show Safra Negócios e o inédito Show Safra Educação, dedicado à capacitação profissional.
O evento também reúne projetos como o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Vale do Guaporé (CIDESA), que promove a integração de 16 municípios da região, e o Conecta Hub, focado em inovação, acesso a financiamento e fortalecimento de redes no setor.
Reconhecido pelo impacto econômico, o Show Safra deve movimentar significativamente a economia local e regional. A expectativa é de que sejam atraídas dezenas de milhares de visitantes e centenas de expositores. Na última edição, o evento ultrapassou 170 mil visitantes e reuniu mais de 1.500 marcas, consolidando-se como uma das principais vitrines do agronegócio brasileiro.
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Baixar áudioA Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os pisos mínimos do frete rodoviário de cargas. Os aumentos variam de acordo com o tipo de operação:
A legislação determina que a tabela seja reajustada sempre que a variação no preço do combustível for superior a 5% em relação à última correção da tabela. Em janeiro de 2025, data do último reajuste, o preço do diesel S10 estava em R$ 6,08 por litro. Agora, está em R$ 6,89, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), uma alta de 13,32%.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sugere ao governo federal a revisão da metodologia do tabelamento do frete. Segundo a bancada, o setor agropecuário entende que o modelo atual não reflete a realidade do transporte no país, ao desconsiderar fatores essenciais como diferenças regionais, frete de retorno, diversidade de cargas e o perfil da frota, o que acaba gerando distorções relevantes e desalinhadas com a prática de mercado.
Como medidas para superar o cenário, o grupo defende a atualização dos parâmetros e maior fiscalização quanto ao cumprimento da tabela. A FPA ressalta ainda que o momento demonstra a forte dependência brasileira do óleo diesel, cujo preço disparou em razão do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Nesse contexto, a Frente pede que o governo federal avance em políticas para agilizar a transição energética. Uma alternativa citada é a revisão do percentual de mistura obrigatória do biodiesel no combustível, dos atuais 15% para 17%. Feito a partir do processamento de biomassas, como o bagaço da cana-de-açúcar e a moagem de grãos, o biodiesel tem o potencial de diminuir a utilização de combustíveis fósseis. O Brasil tem abundância da matéria prima e sua maior utilização representaria mais renda para o campo brasileiro.
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Baixar áudioUma rota de comércio para escoar a produção agropecuária do Centro-Oeste brasileiro a portos no Oceano Pacífico segue sendo uma prioridade para o governo federal. Nesta semana, Brasil e Bolívia assinaram acordos de cooperação nas áreas de infraestrutura, combate ao crime e turismo, e agora o agro anseia por participar da iniciativa.
Durante o Fórum Empresarial Brasil-Bolívia, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta terça-feira (17), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, reforçou a visão estratégica de integração entre os países. “A visão para o futuro é clara: construir uma rota comum de inovação que conecte a agroindústria à sustentabilidade. Uma rota que consolide a integração regional, gere novas oportunidades de negócios e investimentos e contribua para um desenvolvimento sólido e duradouro entre Brasil e Bolívia”, afirmou o ministro.
Fávaro destacou que o comércio com o país vizinho pode ser mais bem explorado, principalmente após a adesão da Bolívia ao Mercosul em 2024, e antecipou trabalhar nesse sentido. “Estamos construindo um memorando de entendimento que cria uma harmonização regulatória que facilita o comércio e fortalece a confiança mútua. Que permite que tecnologias, produtos, e investimentos circulem com mais agilidade e segurança”, revelou.
Também presente ao evento, o presidente boliviano, Rodrigo Paz Pereira, disse compartilhar da ambição brasileira e defendeu a consolidação dos países como parceiros estratégicos. “Trata-se de uma política ativa de posicionar a Bolívia no mundo, apresentando nossas qualidades, fragilidades, desafios e potencialidades. Com o Brasil, buscamos um diálogo franco, com foco no fortalecimento das relações e na construção de oportunidades conjuntas”, alegou.
Paz mencionou também os potenciais logísticos dada a localização geográfica, especialmente a fronteira com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo ele, uma rota comercial na região pode reduzir em até cinco dias o tempo de transporte de produtos brasileiros para mercados externos, aumentando a competitividade e diminuindo os custos de exportação.
Organizado pela ApexBrasil, pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pela Fiesp, o Fórum Empresarial Brasil-Bolívia integrou a agenda oficial da visita de Estado boliviana ao Brasil e contou com a participação de mais de 120 empresários bolivianos, além de autoridades de ambos os países.
Os painéis abordaram setores estratégicos, com foco em rodadas de negócios, atração de investimentos e integração econômica. O objetivo foi ampliar o comércio bilateral e promover parcerias em inovação, sustentabilidade e infraestrutura logística.
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Baixar áudioO estado de Mato Grosso registrou um novo avanço na ampliação de sua participação no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). Quatro consórcios públicos municipais passaram a integrar o sistema: Vale do Rio Cuiabá, Região Sul, Vale do Guaporé e Médio Araguaia. A iniciativa contribui para fortalecer a estrutura regional de inspeção sanitária e amplia as oportunidades de comercialização das agroindústrias locais em todo o país.
Com a entrada desses novos consórcios, o estado passa a ter seis consórcios vinculados ao Sisbi, reunindo 72 municípios. Como Mato Grosso possui 142 municípios, aproximadamente 51% das cidades do estado já estão inseridas no sistema por meio dessa modalidade de cooperação regional.
“O Sisbi é uma política pública fundamental porque permite que os produtos das agroindústrias sejam comercializados em todo o território nacional, abrindo oportunidades para produtores e gerando renda no interior do país. Quando assumimos, apenas 331 municípios brasileiros tinham adesão ao sistema e Mato Grosso não tinha nenhum”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.
"Nós entendemos então que a oportunidade, a queda de paradigma, foi chamar os consórcios para isso. É a união de todos, as pessoas irem participar. Vários municípios juntos conseguem, e as coisas vão acontecer", complementou o ministro.
De acordo com o secretário-adjunto de Defesa Agropecuária, Alan Alvarenga, o avanço observado no estado integra uma estratégia nacional para consolidar a inspeção sanitária e ampliar o acesso de produtores ao mercado formal.
“Esse é um avanço concreto dentro de uma agenda estratégica conduzida pelo ministro Carlos Fávaro para fortalecer a inspeção sanitária no país e ampliar oportunidades, especialmente para pequenos e médios produtores. Na prática, isso significa criar condições para que eles possam formalizar a produção, agregar valor aos produtos e acessar novos mercados com garantia sanitária. É exatamente esse movimento que estamos vendo acontecer em Mato Grosso, que se torna o primeiro estado do país a conduzir uma versão estadual do projeto”, destacou.
No estado, a ampliação da adesão ao sistema tem contado com o trabalho conjunto da Superintendência de Agricultura e Pecuária, dos consórcios intermunicipais e das administrações municipais.
“Quando assumi a superintendência, o ministro me deu uma missão clara de fazer o Sisbi avançar em Mato Grosso. Com o apoio dos consórcios, prefeitos, do Tribunal de Contas e das associações municipais, e o trabalho de uma equipe técnica qualificada, conseguimos transformar esse objetivo em realidade. Agora nossa responsabilidade aumenta, e a superintendência segue de portas abertas para trabalhar junto com os municípios e ampliar ainda mais esse avanço no estado”, relatou o superintendente no estado, Edson Paulino.
A produtora de queijos Larissa Berté, de Nossa Senhora do Livramento, município que passou a integrar o sistema na sexta-feira (13), comentou sobre o potencial de expansão proporcionado pela iniciativa para produtores artesanais.
“Nossa expectativa com o Sisbi é ampliar a presença dos nossos produtos em nível nacional, levando o sabor de Mato Grosso para outros estados e outras localidades. Isso também incentiva pequenos produtores, como nós, a crescer e aumentar a produção, impactando diretamente a economia local”, disse.
Além da integração dos novos consórcios, foram firmados protocolos de intenção com outros oito consórcios: Araguaia, Norte Araguaia, Pontal do Araguaia, Portal da Amazônia, Vale do Juruena, Vale do Teles Pires, Vale do Rio Arinos e Alto do Rio Paraguai. Esses consórcios vão agora dar início ao processo de qualificação necessário para futura adesão ao Sisbi-POA.
Essa nova fase poderá incluir aproximadamente 62 municípios adicionais. Caso todos avancem até a etapa final de integração, Mato Grosso poderá chegar a 134 cidades vinculadas ao sistema, o equivalente a cerca de 95% dos entes locais da unidade da federação.
Impactos positivos
Os efeitos da adesão ao sistema já começam a ser percebidos por produtores que passaram a operar dentro desse modelo de inspeção sanitária. O proprietário da agroindústria Pavin Sertanejo, Aparecido Pavin, afirma que a formalização da atividade trouxe novas oportunidades de negócio.
“Para nós, abriu mais possibilidades de portas para trabalhar e vender. Temos muita procura pelos nossos produtos e dobramos nossas vendas”, relata.
Segundo ele, o aumento da demanda já exige melhorias na estrutura da agroindústria. “Estamos até pensando em instalar uma câmara fria, porque hoje armazenamos o produto final no freezer e já está ficando apertado. Produzimos linguiça, salame, bacon e vários produtos defumados”, relatou.
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Outro exemplo é o produtor Jeferson Gonçalves Silva, da Granja Alvorada da Serra, localizada em Cáceres. Ele afirma que a entrada no sistema representou um marco na organização da propriedade.
“Foi um divisor de águas para a nossa propriedade. Trouxe mais organização, padronização dos processos e maior controle sanitário. Passamos a comercializar nossos produtos em outros municípios, em outras regiões, e até em outros estados do Brasil. Isso ampliou nossas oportunidades com novos parceiros comerciais e teve impacto direto no crescimento da produção e na valorização da marca”, afirmou.
Criado em 2006, o Sisbi-POA tem como objetivo integrar os serviços de inspeção de produtos de origem animal em todo o Brasil, permitindo que agroindústrias com inspeção local possam comercializar seus produtos em escala nacional.
Nos primeiros 16 anos de funcionamento, entre 2006 e 2022, o sistema contabilizou 331 municípios integrados. A partir de 2023 até março de 2026, houve uma aceleração no processo, com a adesão de 1.184 novos municípios, elevando o total para 1.515 municípios em todo o Brasil.
Esse crescimento tem sido impulsionado principalmente pelo fortalecimento dos consórcios públicos municipais, modelo que possibilita o compartilhamento de estrutura técnica, otimização de recursos e a implementação de serviços de inspeção mais robustos.
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Baixar áudioO ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou nesta quarta-feira (4), ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas (FAO) para a Alimentação e a Agricultura para a América Latina e o Caribe.
O evento, realizado no Palácio Itamaraty, em Brasília, entre os dias 2 e 6 de março, reúne ministros, autoridades e representantes de países da região e coincide com as celebrações dos 80 anos da FAO.
Na ocasião, Lula reforçou que o combate à fome deve estar associado à geração de renda e à inclusão produtiva. Segundo ele, é fundamental estimular a produção com qualidade e escala, garantindo que as pessoas possam não apenas se alimentar, mas também obter renda por meio da atividade produtiva.
“Ninguém quer produzir só para comer. É preciso ensinar as pessoas que elas podem produzir e ganhar dinheiro produzindo. É possível produzir em quantidade e com qualidade”, destacou.
Copresidente da Conferência Regional, Carlos Fávaro pontuou que, em meio a desafios crescentes, o fortalecimento dos sistemas alimentares passa pela cooperação internacional, diálogo contínuo e compromisso com a ciência.
O ministro também destacou a contribuição do Brasil e o papel estratégico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no aumento da produtividade sem expansão de área agrícola.
“É também uma honra compartilhar os avanços do Brasil na agenda de bioinsumos, ciência e inovação. Somente em 2025, registramos 139 novos insumos biológicos - um recorde que demonstra o dinamismo desse setor”, acrescentou.
No âmbito da FAO e da atuação regional, o Brasil apresentou quatro prioridades estratégicas: fortalecimento da ciência e da inovação agrícola; ampliação da cooperação técnica em bioinsumos, gestão climática e defesa sanitária; promoção da abertura de mercados com base em critérios científicos; e atuação coordenada em fóruns multilaterais, aprofundando a parceria histórica entre Brasil e FAO, iniciada em 1949.
O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, enfatizou a necessidade de apoiar agricultores familiares e acelerar a transformação dos sistemas agroalimentares, tornando-os mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis.
Na avaliação dele, o momento exige converter desafios estruturais em oportunidades para promover melhor produção, melhor nutrição, melhor ambiente e melhor qualidade de vida.
Durante a Conferência, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária reforçaram que produtividade e responsabilidade ambiental são componentes de uma mesma estrutura institucional.
A política agrícola brasileira agrega defesa agropecuária sólida, regulação clara de insumos e atuação comercial ativa, tendo a ciência como base para formulação de políticas públicas e expansão do comércio.
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Em 2025, o país contou com 139 novos insumos biológicos. Atualmente, mais de 80% dos produtores de soja utilizam a fixação biológica de nitrogênio. Trata-se de uma tecnologia que diminui custos e dependência de fertilizantes importados. Além disso, contribui para a mitigação de emissões.
Esses avanços se sustentam em três pilares. São eles:
Também foram destacados os resultados do Programa ABC+, destinado à adoção de práticas sustentáveis como recuperação de pastagens degradadas, plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta.
Já o Programa Caminho Verde Brasil – que também esteve em evidência - tem como meta recuperar até 40 milhões de hectares em dez anos, restaurando áreas degradadas e transformando-as em terras produtivas de alto rendimento, sem necessidade de desmatamento adicional.
Na safra 2024/2025, o Brasil atingiu produção estimada em 346 milhões de toneladas de grãos. Considerando os principais segmentos do setor, o volume total da produção agropecuária ultrapassou 1,2 bilhão de toneladas no período.
Nesse caso, foram incluídos aproximadamente 650 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 70 milhões de toneladas de proteínas animais, 70 milhões de toneladas de frutas, além de celulose e outros produtos agrícolas.
Atualmente, o país integra políticas de clima, adaptação e mitigação à estratégia de intensificação sustentável da produção, mantendo cerca de dois terços do território com cobertura de vegetação nativa, conforme o Código Florestal, enquanto se consolida como um dos maiores exportadores de alimentos do mundo.
Em 2025, as exportações agropecuárias do Brasil somaram aproximadamente US$ 170 bilhões, estabelecendo um novo recorde. Desde o início da atual gestão, foram abertos 541 novos mercados em 83 países. Para o ministério, o resultado está relacionado à credibilidade sanitária, capacidade técnica e atuação ativa nas negociações internacionais.
Copiar o textoAcordo de Cooperação Técnica Internacional e iniciativas climáticas marcam participação brasileira
Baixar áudioO ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou, nesta terça-feira (3) da 51ª Reunião Ordinária do Conselho Agropecuário do Sul (CAS). O encontro foi promovido pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).
O evento contou com a participação de ministros da Agricultura dos países do Mercosul e seus parceiros associados. O objetivo do Fórum é promover a cooperação regional e o intercâmbio de experiências no setor agropecuário, como destaca Fávaro.
“Esse Fórum tão importante que, há 23 anos, vem facilitando a coordenação, o intercâmbio e as informações além das experiências do nosso país. Temos inúmeros desafios e também grandes oportunidades em comum, de trocar experiências, buscando soluções conjuntas, não somente nos laços que criam oportunidades, mas também oportunidades para o nosso país.”, afirmou o ministro Fávaro.
Em meio ao evento, houve a formalização da passagem da presidência pro tempore do CAS da Argentina para a Bolívia, com a transferência da coordenação dos trabalhos do ministro argentino Sergio Iraeta para o ministro boliviano Óscar Mario Justiniano.
“A Bolívia assume esta responsabilidade em um momento decisivo para toda a região. O contexto internacional exige união, coerência e visão estratégica. O CAS não é apenas um fórum de diálogo; é um mecanismo fundamental para defender os interesses agroprodutivos do Cone Sul no cenário global”, destacou Justiniano.
Na ocasião, também foi formalizado o Acordo de Cooperação Técnica Internacional para a implementação do projeto Cacau Brasil Agrofloresta, firmado entre o Ministério da Agricultura e Pecuária, por meio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), e o IICA. O aporte total foi de US$ 23 milhões do Fundo Verde para o Clima.
O projeto visa promover a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas por meio de sistemas agroflorestais baseados no cacau, ampliando a resiliência climática, aumentando a produtividade e elevando a renda de agricultores familiares nos biomas Amazônia e Mata Atlântica.
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Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural do Mapa, Marcelo Fiadeiro, a iniciativa evidencia a confiança internacional na capacidade do Brasil de integrar produção agropecuária e preservação ambiental.
No âmbito internacional, o ministro Fávaro também ressaltou a conclusão das negociações do Acordo Mercosul-União Europeia, destacando que o entendimento representa uma oportunidade estratégica para ampliar o comércio e diversificar mercados.
“Estamos diante de um momento histórico, que trará ganhos significativos, mas também desafios importantes para a agricultura de nossos países”, afirmou.
Sobre o cenário sanitário, Fávaro manifestou solidariedade ao Uruguai e à Argentina diante dos recentes casos de influenza aviária e colocou a estrutura brasileira à disposição para apoiar as ações de enfrentamento.
Copiar o textoPIB da agropecuária avança 11,7% e contribui para fortalecimento da economia em 2025
Baixar áudioO Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário brasileiro avançou 11,7% em 2025 frente ao ano anterior. A informação foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3).
Em valores correntes, o valor adicionado bruto do setor atingiu R$ 775,3 bilhões, o que corresponde a cerca de 6,1% do PIB nacional. No acumulado do ano, a economia do país registrou crescimento de 2,3%, alcançando um total de R$ 12,7 trilhões.
Na avaliação do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o desempenho evidencia a importância do segmento para a economia brasileira. Segundo ele, apesar de desafios pontuais, como preços de commodities pressionados e endividamento em algumas cadeias de produção, “a resiliência, a competência e a capacidade produtiva do setor têm sido determinantes para o crescimento do Brasil”.
Conforme o IBGE, a forte performance do agronegócio foi puxada principalmente pelo aumento da produção e da produtividade agrícola, com destaque para culturas que registraram expansões significativas. A produção de milho, por exemplo, cresceu 23,6%, enquanto a soja registrou elevação de 14,6%. A pecuária também contribuiu de forma positiva para o resultado do setor.
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Na comparação entre o quarto trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, o PIB brasileiro teve um salto de 1,8%. No mesmo intervalo, o valor adicionado pela agropecuária aumentou 12,1%, impulsionado pelo bom desempenho da pecuária e de culturas como fumo (29,8%), laranja (28,4%) e trigo (3,7%).
O resultado consolidou a relevância do agronegócio para o crescimento econômico do país e sua contribuição para a geração de renda.
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